ARGONIANOS (SAXHLEEL)

— Vice-cônego Heita-Meen (The Elder Scrolls Online)

"Nós somos as ondas estacionárias onde o rio flui sobre as rochas. O Hist é o rio."

Os Argonianos (ou Saxhleel, que em Jel significa "Povo da Raiz") são as pessoas reptilianas nativas de Black Marsh, uma província localizada no sudeste de Tamriel. Conhecidos por sua inteligência aguçada, agilidade e fisiologia anfíbia, eles são frequentemente incompreendidos pelas outras raças do continente devido à sua expressão facial aparentemente fria, costumes tribais herméticos e uma conexão mística profunda com os Hist — uma raça de árvores sencientes que guiam a biologia e a espiritualidade de seu povo.


FISIOLOGIA E ANATOMIA

— Guia de Bolso do Império, 1º Edição (Livro in-game)

"Eles possuem brânquias e podem respirar debaixo d'água... são nadadores rápidos e ágeis de uma forma que nenhum homem ou elfo consegue igualar."

A biologia de um argoniano é uma das mais complexas e adaptáveis de toda Tamriel. Embora possuam uma estrutura humanoide, suas características físicas variam drasticamente entre indivíduos e, principalmente, de acordo com a tribo a que pertencem e a influência da seiva do Hist que consumiram na infância.

Características Externas e Variações

A pele dos Saxhleel é coberta por escamas que variam em textura (desde placas grossas e sobrepostas até pele lisa e anfíbia) e em coloração, abrangendo tons de verde, marrom, vermelho, azul e, raramente, preto ou albino. Muitos indivíduos apresentam cristas ósseas, chifres cranianos de tamanhos variados, espinhos ao longo da coluna e barbelas faciais que lembram características aviárias ou aquáticas. Suas caudas são longas, musculosas e fornecem equilíbrio crucial para a movimentação terrestre e propulsão na água.

Adaptação Anfíbia e Resistências

Os argonianos possuem brânquias funcionais localizadas nas laterais do pescoço ou logo atrás das mandíbulas, permitindo-lhes respirar sob a água indefinidamente. Seus olhos possuem membranas nictitantes (pálpebras transparentes) que protegem a visão durante o mergulho. Devido aos milênios de evolução e isolamento nas profundezas tóxicas do Pântano Negro, eles desenvolveram uma imunidade natural devastadora a quase todas as formas de venenos conhecidos e às febres e pragas tropicais (como a Peste de Knahaten) que historicamente dizimaram exploradores não nativos na província.

O Ciclo de Vida e a Seiva do Hist

Os argonianos são ovíparos. Suas ninhadas são depositadas em poças de incubação sagradas chamadas uxith, localizadas próximas às raízes de uma árvore Hist. O nascimento e o desenvolvimento de um filhote dependem inteiramente da ingestão da seiva do Hist. Essa substância mística atua como um catalisador biológico e espiritual: é ela que determina o nível de características humanas ou reptilianas que o indivíduo terá, molda seu gênero biológico inicial e introduz uma alma à criatura.

Diferente de qualquer outra raça racional, a biologia argoniana não é estática. Sob a orientação dos Hist ou através de rituais tribais específicos durante fases de transição da vida, um argoniano pode alterar seu sexo biológico e até mesmo sofrer mutações físicas severas para se adaptar a crises ecológicas ou necessidades militares de sua tribo. Aqueles nascidos longe de Black Marsh, conhecidos como Lukiul, que nunca consumiram a seiva, tendem a possuir formas físicas mais padronizadas e expressam grande dificuldade em compreender a linguagem corporal e os instintos compartilhados por seus parentes nativos.


CULTURA E SOCIEDADE

— Otumi-Ra (The Elder Scrolls Online)

"Xcu-co, estrangeiro. O termo 'rei' não se traduz bem para o Jel. Nós temos os Tree-Minders, e nós temos os Hist. O pântano dita o resto."

A sociedade argoniana é profundamente descentralizada e estruturada em torno de um mosaico de tribos autônomas. Não existe a mentalidade de um império ou de um governo dinástico unificado; a lealdade primária de um Saxhleel pertence ao seu Hist local e à sua comunidade imediata.

Estrutura Tribal e Variabilidade

As tribos argonianas diferem drasticamente em temperamento e costumes:

O dia a dia de uma tribo é frequentemente coordenado pelos Tree-Minders (Zeladores das Árvores), que atuam como xamãs e intermediários espirituais, ouvindo os sussurros do Hist e traduzindo-os em diretrizes comunitárias.

Relacionamentos, Namoro e Casamento

Diferente das culturas de homens e elfos, o conceito de cortejo e casamento entre os Saxhleel nativos é profundamente ligado à perícia manual, paciência e aprovação espiritual da tribo. Os argonianos não praticam o casamento por razões de aliança de propriedade ou linhagem nobre, pois para eles tudo pertence ao pântano.

O Conceito de Tempo e Emoção

Para os argonianos, a mente funciona de maneira diferente das raças de Men e Mer. Eles não possuem uma estrutura emotional facilmente legível por estrangeiros, já que carecem dos músculos faciais necessários para sorrir ou franzir a testa. Em vez disso, comunicam suas intenções através de micro-movimentos da cauda, flutuações no tom da fala e na postura.

Sua filosofia social é pautada pela impermanência. Como vivem em um ambiente onde tudo se decompõe rapidamente, os Saxhleel veem o tempo como um ciclo contínuo, e não como uma linha reta em direção ao progresso. Guardar rancores históricos de longo prazo ou planejar impérios para os próximos séculos são conceitos vistos como uma tolice que desafia a natureza mutável do mundo.

A Percepção sobre os Povos do Vento e da Lua

Para a mente dos Saxhleel, moldada pela imutabilidade do pântano e pela conexão direta com o Hist, os Khajiit são vistos como criaturas espiritualmente instáveis, excessivamente barulhentas e governadas por caprichos volúveis. Na filosofia argoniana, onde o tempo é percebido no momento presente e as emoções são contidas, o comportamento expressivo, as paixões dramáticas e o apego dos felinos ao Açúcar Lunar são interpretados pelos Tree-Minders como um sinal de fraqueza interior — uma existência superficial e desatada da verdadeira raiz do mundo.

Embora as duas raças compartilhem a vivência marginalizada em províncias imperiais e dividam a complexa região de fronteira em Blackwood, os guerreiros e caçadores das tribos mantêm as garras em alerta. Eles compreendem que as promessas do povo-gato mudam tão rapidamente quanto as fases de suas luas, tornando-os parceiros pouco confiáveis cujos sussurros raramente criam raízes duradouras.


RELIGIÃO E FILOSOFIA

— Variedades da Religião em Tamriel (Livro in-game)

"Para o argoniano, Sithis é o começo e o fim. É o Vazio do qual todas as coisas nascem e o Caos para onde todas as coisas devem eventualmente retornar."

A vida espiritual dos argonianos ignora o panteão tradicional dos Nove Divinos ou dos Príncipes Daedricos que dominam o resto do continente. Sua cosmologia é focada em duas forças fundamentais: os Hist e Sithis.

O Hist como Consciência Coletiva

Os Hist não são deuses no sentido de exigir adoração ou sacrificícios por meio de templos e dogmas escritos. Eles são uma mente coletiva. Quando um argoniano morre, sua alma não viaja para Aetherius ou para os reinos de Oblivion; ela retorna através das raízes para o Hist, onde suas memórias são absorvidas e assimiladas, permitindo que a mesma alma seja reencarnada em um novo filhote. Existe uma telepatia latente entre os Saxhleel e as árvores, permitindo que o povo atue em uníssono perfeito quando o pântano corre perigo iminente.

Sithis e os Shadowscales

Enquanto o Hist representa a preservação e a alma do povo, Sithis é reverenciado como a força cósmica do Vazio, do Caos e da Mudança Inevitável. Para os argonianos, Sithis não é maligno, mas sim o grande equalizador que destrói o que está estagnado para dar espaço à nova vida.

Essa conexão com Sithis gera a tradição dos Shadowscales (Escamas das Sombras). Qualquer argoniano nascido sob o signo astrológico da Sombra é entregue à custódia da tribo para ser treinado desde a eclosão do ovo nas artes do assassinato furtivo, da espionagem e da guerrilha. Historicamente, os Shadowscales atuavam como uma força de elite interna para manter a ordem em Black Marsh e como executores da vontade de Sithis. Quando atingem a maioridade, muitos viajam para se juntar à Dark Brotherhood (Irmandade Sombria), embora sua lealdade espiritual primária permaneça atrelada às suas origens.


ARQUITETURA

— Tree-Minder Na-Kesh (The Elder Scrolls Online)

"As Xanmeers são relíquias de um tempo que escolhemos esquecer. Tentamos endurecer o pântano com pedra, e o pântano quase nos quebrou. Agora, nós dobramos como o junco."

A evolução arquitetônica de Black Marsh reflete diretamente as mudanças teológicas e filosóficas pelas quais a raça passou ao longo das eras.

As Xanmeers e a Era do Declínio (Duskfall)

Em um passado muito distante, os argonianos possuíam uma civilização avançada que construía monumentos colossais de pedra. Conhecidas como Xanmeers, essas imensas pirâmides de degraus, templos e complexos subterrâneos de engenharia hidráulica desafiavam a selva e eram usadas para rituais astronômicos e habitação de elites clericais.

No entanto, ocorreu o fenômeno histórico conhecido como Duskfall (o Declínio). Os argonianos perceberam que a tentativa de criar estruturas eternas de pedra era uma heresia contra o princípio de mudança de Sithis e uma desconexão com o estilo de vida natural dos Hist. Eles abandonaram as pirâmides, deixando-as para serem engolidas pelo pântano, onde hoje servem apenas como ruínas perigosas repletas de armadilhas e relíquias antigas.

Habitações Modernas e Integração Urbana

A arquitetura argoniana contemporânea foca na simbiose com o ambiente. Suas vilas são compostas por cabanas circulares feitas de mud-brick (tijolos de argila e lama cozida), juncos trançados, estacas de madeira flexível e tetos de palha. Essas estruturas são projetadas para resistir às inundações constantes e, caso sejam destruídas por uma tempestade, podem ser reconstruídas pela comunidade em poucos dias.

Nas províncias externas, como Skyrim, os argonianos raramente são autorizados a construir seus próprios bairros devido ao preconito das outras raças. Em cidades como Windhelm, eles são segregados no Argonian Assemblage, um complexo de alojamentos de pedra fria localizado do lado de fora das muralhas da cidade, próximo às docas, onde adaptam o espaço coletivo para manter seus hábitos de proximidade com a água e culinária comunitária.


IDIOMA

— Estudos Linguísticos sobre o Jel (Livro in-game)

"O Jel é uma língua pura. Ela expressa o mundo como ele é, sem as ilusões do passado ou do futuro. Tudo é o agora."

O idioma nativo dos Saxhleel é o Jel. Esta língua é considerada pelos linguistas de Tamriel como uma das mais exóticas e difíceis de se estudar, pois sua estrutura desafia os conceitos básicos de comunicação humana e élfica.

A Ausência de Tempo Gramatical

A principal característica do Jel é que ele não possui tempos verbais para o passado ou para o futuro. Toda a estrutura linguística é expressada no presente. Para um argoniano conversando em Jel, o que aconteceu há mil anos ou o que acontecerá amanhã são transições contínuas de um único estado de existência. Se a menção ao tempo for estritamente necessária, eles utilizam marcadores de contexto externos, mas a mentalidade da língua reforça o foco absoluto no "agora".

Fonética e Expressão Não-Verbal

O Jel é rico em sons sibilantes, cliques palatais, estalos guturais e assobios que imitam a fauna reptiliana de Black Marsh. Raças não reptilianas acham quase impossível pronunciar certas palavras corretamente devido à falta das estruturas vocais adequadas. Além disso, o Jel falado é apenas metade da comunicação; ele é projetado para ser complementado por variações na coloração sutil da pele do pescoço e movimentos da cauda, tornando uma conversa puramente textual em Jel algo incompleto.


HISTÓRIA

— A Crise do Oblivion em Black Marsh (Contos da Quarta Era - Livro in-game)

"Os Daedra descobriram que não estavam enfrentando mortais indefesos... Os Argonianos marcharam para dentro dos próprios portões de Oblivion, forçando os generais de Dagon a fechá-los."

A história dos Argonianos é marcada pelo isolamento geográfico protetor, longos períodos de sofrimento sob invasões estrangeiras e demonstrações súbitas de um poder militar avassalador quando coordenados pelos Hist.

A Cicatriz da Escravidão Dunmer

Por milhares de anos, a história dos Saxhleel foi tragicamente interligada à dos Elfos Negros (Dunmer) de Morrowind. As Grandes Casas Dunmer, particularmente a Casa Dres e a Casa Telvanni, realizavam incursões militares constantes nas fronteiras ao norte de Black Marsh para capturar argonianos em massa, forçando-os ao trabalho escravo em suas plantações de saltrice e minas de ébano. Esse período de exploração brutal gerou uma desconfiança e um ódio cultural profundo entre as duas raças, que ecoou por eras na geopolítica do norte de Tamriel.

A Crise do Oblivion e a Ascensão do An-Xileel

No final da Terceira Era, quando os portões de Oblivion se abriram por todo o continente e as hordas da Mythic Dawn invadiram Tamriel, Black Marsh teve um destino completamente diferente das outras províncias. Através de sua conexão mística, os Hist previram a invasão de Mehrunes Dagon com meses de antecedência e convocaram a maioria dos argonianos de volta para a província.

Uma facção nacionalista conhecida como An-Xileel assumiu a liderança militar. Sob as ordens do Hist, os guerreiros consumiram uma seiva modificada que alterou sua fisiologia, aumentando drasticamente seu tamanho, força física e ferocidade combativa. O exército argoniano não apenas repeliu os Daedra de suas terras, mas contra-atacou com tamanha brutalidade que invadiu os próprios portões de Oblivion. Os exércitos de Dagon foram tão subjugados em Black Marsh que os generais do Príncipe da Destruição foram forçados a fechar os portões daquela região para evitar que os argonianos conquistassem porções do próprio Oblivion.

A Guerra de Ascensão (Quarta Era)

Após o colapso do Império Septim e a erupção cataclísmica da Montanha Vermelha em Morrowind (o Ano Vermelho, no início da Quarta Era), os Dunmer ficaram vulneráveis. Aproveitando-se do caos e liderados pela facção An-Xileel, os argonianos lançaram uma invasão massiva de retribuição contra Morrowind.

Eles marcharam em direção ao norte, devastando as propriedades das Grandes Casas, saqueando a antiga capital de Mournhold e forçando os Elfos Negros a fugirem em massa (muitos deles se tornando refugiados em Skyrim). Embora os argonianos eventualmente tenham recuado para consolidar suas fronteiras originais e os territórios ao sul, a invasão quebrou permanentemente o poder político clássico de Morrowind e estabeleceu Black Marsh como uma potência independente e isolada na Quarta Era.